16 novembro 2025

 




regresso ao universo do senhor redman
desta vez imbuído de uma tristeza doce










02 novembro 2025

 





um dos mais interessantes projectos nacionais
a iluminar o jazz de domingo à noite












26 outubro 2025

 




o imortal trio de bill evans num domingo no
village vanguard de nova iorque: um clássico
instantâneo, como alice no país das maravilhas











14 outubro 2025

o primeiro dos Polanski.


É feliz; é feliz a ideia de cumular a faca à água. Essa imagem. A imagem, nervosa e que vem do dentro para o dentro, do belo filme [longa-metragem] de estreia de Roman Polanski, de 1962. Que, a não ser o minimalismo técnico e a plasticidade à deriva de uma língua própria, não parece uma primeira obra. É já crescida. 

O estrangeiro, vagabundo e jovem, repete várias vezes que a faca não lhe serve de nada na água - lugar natural do homem do leme, o nosso Andrzej - não a corta; mas lá de onde vem, no mato, é-lhe útil. Está dado o tom: pseudo-subserviente enfrenta o autoritário. E o quanto é que apetece circum-navegar por uma retórica análoga à situação política da Polónia daquela era? É, apetece.

O Eros, todo ele Antonioni, neste filme de Polanski dá as voltas que quer pelo mar obscuro de lâminas que é a masculinidade e torce pescoços de pronto, ou não tivéssemos uma faca rasgando as águas silentes e pantanosas de um casamento fracassado. Como um sexo que retorna ao lugar de prazer, Andrzej é absoluto, personagem-sem-delírio, mas a cabeça estoura de ressentimento quando Krystyna arma a revolução que lhe estava há tanto por fazer e, sobretudo, dizer. 

Porém, é tudo um caos calmo em êxtase de fogo-fátuo, filmado quase de forma bárbara, porque pequena e incalculável a adrenalina que corre entre este trio que nasce de um acaso. Não faz muito sentido falar do destino até que a última imagem do filme nos ensombra.

12 outubro 2025

contra o esquecimento.


Deus existe, existindo contra o esquecimento. Nós esquecemos, passamos paninhos, fiu fiu fiu, é só assobiar para o lado. Mas uma, à falta de melhor designativo, entidade que sabe tudo e vê tudo... já devíamos estar a tremer, como lá o coisa ruim está, porque sabe que o tempo dele é curto. E sabe que Deus existe contra o esquecimento. Para o bem e para o mal, atenção. Deus é uma verdade MUITO inconveniente para muitos milhões de pessoas. Cada vez mais e em maior número. Mas a indiferença-burguesa-apalermada também se paga, cêntimo a cêntimo - já disse que Deus sabe e vê tudo? Porque Deus não esquece de quem o esquece, ou, por ser demasiado inconveniente, o quer esquecer. Persegue-os, nos casos sem emenda, até à morte. Deus não condena ninguém, diretamente ou por capricho: é a alma empedernida no pecado e no crime que entra em desespero ao entrar em contacto com a realidade que achava não existir, e se condena. Ela própria não suporta tamanho antagonismo. Há aquela ideia de que o inferno é alaranjado e vermelho, que há um fogo que devora. Devemos esclarecer que o inferno é muito mais branco: o fogo que devora é um vazio perpétuo imenso. É a alma separada de Deus, sua fonte. É uma dor de não ter que se transforma em sentimento negativo. Um estado de negação completo. E ainda deve ser mais coisas, nenhuma delas boa. O bom é lá em cima.

06 outubro 2025

Embora tenhamos o Nuno Lopes ao nível médio do Nuno Lopes, Lavagante não dá nada ao espectador para levar, ou ficar, consigo; no fim, não se entra num êxtase amoroso Jane Austeniano, nem lacrimejam os olhos de ver o sacrifício "socialista" Ken Loachinano ser parido nas nossas emoções. Fica-se especado, sem intensidade, entre imagens que vão de A a B e de B para A numa dança muito sem sal e alegria, sem luxos de recorte, tudo assintomático, um discurso em que lhe falha a super-abundância do tempo que retrata e actores capazes de o dar a entender, e cheirar. Apesar da boa-vontade, isto é só transportar bagagem. Quis, Mário Barroso, fazer-se tão entender, que tornou tudo num imenso plano cheio de escrúpulo com 90 minutos. A pedir licença à nossa inteligência para ser suficiente. Acho que José Cardoso Pires entrega mais do que trabalho de arquivista... 

Entendemos, à distância, que este filme é só não-sofisticado: uma estória de amor ténue, porque doente e censurada; sem fuga, é o natural-betinho de boas-famílias em todo o seu esplendor; o que só apetece dizer no fim é 'E daí?' - tanto é o que acrescenta e, como bónus, temos o Diogo Infante a fazer de mauzão PIDEsco... 

Ele anda por aí, nas salas.

05 outubro 2025

 




cinquenta anos depois, a música dos soft machine
regressou aos tempos de antena caseiros. e bem.











03 outubro 2025

Carreteira de fogo


O mar obscuro de lâminas cinza voltou a encontrar-me ensanguentado
Improvisando uma cura na gaze de vilão de cinema, 
Sendo qualquer coisa mais narrativa este sangue que derramo hoje
E não é sémen no chão
É música velada Universo Víscera e círio cardado que ouço com doçura
E contento o mundo com o meu prazer
O meu prazer entre silvos Muito ou pouco O homem que pensei ser
Ser louco Rato ou bardo da loucura
Mas folia funda no meu pensamento sou,
Nos sonhos te vejo É tão tarde
Há os restos de comida nesta mesa de festa
Como os cães de casa que rastreiam as suas presas E por capricho se lamentam
Arrastando o passo até o céu pôr-se a chover chibatas 
E é a dor da terra molhada
A prova evidente de que gostas de mim,
Cantarei a canção e bailarei a pena torcida até saber quem tem razão
Faz tempo que não sei quem sou Contei a mentira
E de noite pedindo perdão
É que voltar por voltar,
Frio tão frio que não posso fazer mais nada do que arder
Esse doce perfume que me voltas Reminiscência, Lá fora é só o mundo
Uma pele uma pedra Voltar voltar voltar Aprender bruxaria
Deixa-me passar feiticeira Tem alguma compaixão
Carena vinho cantar descida 
Não sei se falo de algo antes dos anjos 
Antes de ouvir a manhã
Antes de converter-me de novo em fogo A parábola de um grande sonho
Se pudesse prevenir-te com uma guerra disparar ignorância sobre a tua cabeça
Bombardear todos os meus esquemas obrigar-te a consumir-me e a consumir-te
Para que me desfrutes só tu
Ver-te extinguir
Como a social democracia
Medo ensurdecedor de desestabilizar 
Eu digo o que serei Uma parede Se queres Entre as minhas pernas
Depois de cem anos morto encontrarão o meu corpo que tinhas querido
Entre as paredes se ouvirá uma árvore
Canta
Canta
Canta
Canta
Canta
Deixa-me subir.

28 setembro 2025

 





no jazz de domingo à noite
o trompete mágico do senhor akinmusire












21 setembro 2025

 




no jazz de domingo à noite
o sr. redman brinca às escondidas











14 setembro 2025

 



jazz de domingo à noite: tive a sorte de ter ouvido cada um em concerto,
mas nunca assim neste trio, que marcou muito o jazz dos anos oitenta.
e, claro, agora já não será possível ouvir este palhaço ao vivo.











07 setembro 2025

 




no jazz de domingo à noite
uma irrepreensível cover de
um daqueles standards que...











um mutismo olímpico.

Deus intervém na História que é a dos homens - a vida dos mártires e dos santos de todas as épocas comprova-o; mas o seu mutismo é de iguais proporções, senão maior - a Sua Ausência da História, em momentos trágicos, é dolorosa. Nunca percebi. Acho que só vou entender quando morrer. Acho que Deus, e isto é uma opinião muito pessoal, se resguarda, não se expõe, não se Revela a todos porque isso seria contra a Sua Natureza e Vontade. Afinal, qual era o desafio se Deus tivesse permanentemente na testa um autocolante a dizer Eu sou o que Sou? Não, isso não era destino, incerteza, dados, sorriso sem ambiguidade. Isso seria fatalismo pessimista e desconsolo, uma escravidão involuntária e automática. 

Mas como e porquê? 

Deus dá-nos uma Liberdade incondicional e extrema, até para O odiar. E deixa, misteriosamente, o bafo do Inferno actuar, com limites, sobre o mundo. Procura sempre um maior benefício, disso não tenho dúvida, porque Ele é assim: se puder salvar dois, salva dois em detrimento de um. É entre este limite da actividade satânica, que corrompe e actua sobre os homens, e a Liberdade, que devemos procurar uma resposta: a possível, a satisfatória. O resto é o mistério da arquitectura da Salvação a funcionar.

«O homem é um deus quando sonha e um mendigo quando pensa.» - Hölderlin

02 setembro 2025

ainda não sei e também não quero saber, mas talvez saiba e não pergunto

 Passei de estar queimada, nesta vila, a calcinada.

Até às minhas meninas ofereci, para a sua biblioteca, livros sobre mitologias.

Vários, adequados à idade.

Estou a renascer, como a Fénix.

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A minha beleza de 30 anos tatuou a Medusa (em pontilismo) num braço.

A minha beleza de 27 anos tatuou o Ouroboros, rodeia-lhe uma das pernas.

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Calcinada, o tanas.

A minha herança maior perdura.

Não se pendura!

31 agosto 2025

 




no jazz de domingo à noite
recorda-se a manhã anterior
(e reinventa-se uma canção pop)












30 agosto 2025

Sem filtro

Quando compro algo em variedade, gosto assim - feitio diferente e a mesma cor. Se bem que cor aqui nem se aplique, mas pronto. Também gosto do contrário, cores diferentes num mesmo feitio... O que também não se aplica aqui. Caraças. O pó nas janelas e assim faz parte. Fosse eu uma Cinderela e.