07 setembro 2025

um mutismo olímpico.

Deus intervém na História que é a dos homens - a vida dos mártires e dos santos de todas as épocas comprova-o; mas o seu mutismo é de iguais proporções, senão maior - a Sua Ausência da História, em momentos trágicos, é dolorosa. Nunca percebi. Acho que só vou entender quando morrer. Acho que Deus, e isto é uma opinião muito pessoal, se resguarda, não se expõe, não se Revela a todos porque isso seria contra a Sua Natureza e Vontade. Afinal, qual era o desafio se Deus tivesse permanentemente na testa um autocolante a dizer Eu sou o que Sou? Não, isso não era destino, incerteza, dados, sorriso sem ambiguidade. Isso seria fatalismo pessimista e desconsolo, uma escravidão involuntária e automática. 

Mas como e porquê? 

Deus dá-nos uma Liberdade incondicional e extrema, até para O odiar. E deixa, misteriosamente, o bafo do Inferno actuar, com limites, sobre o mundo. Procura sempre um maior benefício, disso não tenho dúvida, porque Ele é assim: se puder salvar dois, salva dois em detrimento de um. É entre este limite da actividade satânica, que corrompe e actua sobre os homens, e a Liberdade, que devemos procurar uma resposta: a possível, a satisfatória. O resto é o mistério da arquitectura da Salvação a funcionar.

«O homem é um deus quando sonha e um mendigo quando pensa.» - Hölderlin

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