01 dezembro 2025

e assim vou, sem ir.

É trágico saber-nos destinados à obscuridade das vanguardas, que é para onde tendem todas elas. Do fim do tempo. Do frio absurdo. Nunca serei um escritor rentável e visível, porque isso, estou no fim da história a fazer os meus vanguardismos agressivos. Só a poesia me salva, e mesmo aí não sei se sou entendido. Senão vejamos: o romance social teve os últimos estertores nos modernismos do século XX. E eu sou todo modernismo século XXI. Bem sabemos que é baralhar e voltar a dar. Não há novidade. É só uma forma de dizer e estar. Mas, porra, a minha forma de dizer é muito agressiva para as mentalidades vigentes. Nunca, ninguém, me entenderá. Ou entenderá, assim: objecto estranho e paranóide. Meio anjo, meio animal.

Se escrevesse um romance, suspeito que primeiro teriam de lhe dar um novo designativo. Escrevo já para a arca? Também não é muito comigo essa atitude heróica. 

E assim vou, sem ir.

1 comentário:

CCF disse...

Mas então, onde vai? Para que quer ser compreendido? Deixe estar, só cada um de nós se compreende a si mesmo e às vezes nem isso:)