11 dezembro 2017

tapete, manta

as folhas cobrem o chão da vila e o dia parece querer atentar a paciência dos transeuntes. De novo, uma chuva rala, amostras de vento na ordem das saquetas de perfumista da Yves Rocher, etc., e eu que tanto queria ir ao quintal da casa das tias velhas, completamente em descalabro, colher limões, sei que o não posso fazer, hoje, pelo menos. A porta dos curros não abre, sequer a pontapé, precisaria do escadote longo do senhor da loja uns metros acima (como da última vez) e as silvas, que me chegam até ao infinito, além de continuarem a rasgar pele e roupa, estão ensopadas.

Queria também recuperar aquela cesta enorme, tão antiga, que permanece ainda na casa do forno de lenha e cujo destino é a cozinha desta casa, recuperando a sua função de sempre: guardar a lenha. Passei metade dos meus almoços de Verão recolhendo pinhas e paus, transpirando como se foram dias de praia, ou férias, quando de facto estes não aconteceram.

Atiro-me aos livros (voltei a ler) e tenciono iniciar a minha primeira manta para uma bebé especial. Uma peça simples, provavelmente num cinza claro, suave, que o rosa, enfim, mais me valeram as silvas & assim.

Da fiabilidade da imprensa


O arcebispo de Canterbury realizou, numa ocasião, uma viagem a Nova Iorque.
- Eminência, tenha muito cuidado com os jornalistas de Nova Iorque porque forçam, frequentemente, as declarações - disseram ao arcebispo antes de sair de Londres. Ao desembarcar no aeroporto nova-iorquino havia uma conferência de imprensa e um dos informadores perguntou ao prelado:
- Monsenhor, o que opina sobre os bordéis do este de Manhattan?
- Há bordéis no este de Manhattan? - perguntou o arcebispo, exagerando na prudência. No dia seguinte, alguns jornais de Nova Iorque tinham como título de primeira página: Primeira pergunta do arcebispo de Canterbury ao chegar ao aeroporto: existem bordéis nos bairros do este de Manhattan?
De facto, foi a primeira pergunta que tinha feito ao chegar ao aeroporto. Estava, inclusivamente, gravada. Qualquer um podia comprová-lo. Dizer a verdade supunha uma mentira flagrante.

Miguel Santos Guerra

10 dezembro 2017

tempestade

Pois, quem beneficiou, quase em exclusivo, foram as gentes até Coimbra. Aqui, a pouco mais de 100Km de distância, vieram uns ventos de agitar copas de árvores, em espalha-folhas. Uma chuva rala, nada mais.

Estou zangada, adoro tempestades e, de resto, já foi tudo azeitonado, não vinha mal algum às couves e aos citrinos.


09 dezembro 2017

provavelmente, o natal mais difícil da minha vida (e nunca gostei dele, mas este faz sentido, literal)

E das dificuldades não falarei, por outrem, pois que para mim será a beleza sob todas as perspectivas. Não é assim para todas as pessoas, mas eu não sou todas as pessoas e ainda bem. 

posto assim, me gusta, mucho (e sei que já declarei alguma da minha renitência quanto ao passado, mas não era desta matéria que versava)

Bichos citadinos com gosto por tocas e tojo.

Arranjei uma corda de rebocador, muitíssimo bem apetrechada com nós, preparada para ser lançada em direcção ao fundo da toca esconsa onde este caramelo se escondeu de quem o ama. Com isto a continuar assim nunca mais me apanha a deglutir coivas na sua presença. Se por milagre de lá emergir terei uma cadeira de barbeiro e uma parafernália de tesouras de poda para a tosquia. Sai daí, caralho!

07 dezembro 2017

este rapaz

está a hibernar, i guess.
respect!

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p.s. - que sôdades!!!
p.p.s. - como é que se alevanta da hibernação um monstro da escrita???
p.p.p.s. - despachem-se!

06 dezembro 2017

Ao cuidado de todos os compositores russos que vagueiam lá pelo panteão dos gajos russos a bebericar shots de vodka com cicuta:
"Tudo está escrito numa partitura. Excepto o essencial:"
Gustav Mahler

05 dezembro 2017

ó Diogo, grazie!

se bem se recordam (duvido),

semeei ontem coentros portugueses e coentros indianos. Bem sei que se trata de planta caprichosa e temperamental, que da semente nem sequer me atreverei a acrescentar seja o que for.

Assim, tendo de antemão o conhecimento das dificuldades que se avizinham, trouxe hoje comigo uma saqueta de Mizuna, a saber: mostarda oriental, que vai bem nas saladas.

(confesso, contudo, que adoraria ver o coentro português germinar, beijaria o vaso diariamente se se se, um sezinho-pezinho que fosse).
Já não voltarei a utilizar o óbice de estar zarolho para justificar certos e determinados acontecimentos usando em vez o inexorável facto de estar possuído por um clone de Belzebu. Ofertado que fui com uma caixa de tabaco da marca "Three Nuns, The Tobacco of Curious cut", li "The Tobacco of Curious Cunt". Aliás, continuo a tresler e aquilo não me sai da cabeça...

04 dezembro 2017

café-relâmpago

Chego e peço o café, o copo de água e o cinzeiro habituais. Procuro o jornal, nada. Pergunto à C. por ele. Segundo ordens do novo dono, que comprou uma enorme unidade hoteleira mais um enorme apêndice pelo valor de uma vivenda com piscina e meio hectare de terra, deixarão de ter jornais, excepto nos feriados e fins-de-semana. Comento com um - forreta!, que a faz lançar uma gargalhada. Nem sequer consigo rir, sabendo dos despedimentos radicais, absolutos como páginas em branco: antes, agora e depois.

Vou pegar nas pernas e dirigir-me ao hotel, esta mesma semana, para ter uma conversa com este cavalheiro de merda, deixando-lhe bem claro o quão mal-vindo é a uma terra que necessita de fixar gente, não de a escorraçar como se foram, estas gentes, a ratazana gorda que ele é.

Ó Diogo!

agora queria ler isto...

e isto.

will ya? C'mon :)

(ainda) podas

Hoje é o dia de repetir a aventura do cabelo, segurando com mão firme a tesoura do peixe, exactamente como da primeira vez, já lá vão uns anos. Phelps & Nigga say no, eu vou prosseguir. Tudo torto e irregular, bem curto. No final, uma cor, assim uma espécie de avelã misturada com Sol e uns pózinhos de colorau com terra.

Voltarão as ondas, bem sei. Creio que acalmaram um pouco.

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(adenda, após as 20h0)

Ficou delicioso. E brilha, revolto, sob os dedos.

o mundo tornou-se demasiado mundano

e é por tudo isso, ou o que 'isso' comporta, que me dá cada vez mais prazer agarrar a terra, as ervas, os utensílios de jardinagem (e horta, etc.) do meu falecido padrinho, que me ensinou a podar. Foi o que fiz hoje. Acordei para o pequeno-almoço com a porcelana, de partida para a capital de reyno, fui tomar um café-relâmpago ali abaixo, ao Sol, e muni-me, descendo as escadas laterais que dão para o pomar inferior da casa da - ainda viva e ainda bem, que a majestade refila como ninguém mas adora ouvir-me falar, diz a minha prima - minha madrinha. Bastou-me a tesoura de poda de cabos longos e um ancinho robusto, ambos muito antigos, com muito uso. Em hora e meia ficou como queria. Deixei, como é habitual, um coberto de folhas e paus, entre secos e frescos, protegendo a humidade da terra até às chuvas (li há dias, mas esqueci-me do lugar, alguém que chamava a este coberto uma 'pele': belíssimo).

Olhei de soslaio os quatro pés de amora que plantei há pouco tempo. Diria, pelos sinais que fui aprendendo a reconhecer, que irão vingar, mas não quero pressioná-los.

Ontem, foi a sementeira nos vasos de terracota que alguém abandonou e eu achei, a um metro de um caixote do lixo público. Estão meio rachados, uns, esgaçados no topo, outros, mas tão belos, já com a patine do tempo, aquilo que a terracota tem de mais belo. Trouxe a terra, a turfa e os pratos. A  ver se é desta que teremos cebolinho, coentros portugueses e indianos, salsa. No vaso maior, cresce o tomateiro-ginja preto, carregado, o pimento pantos, a olhar meditabundo o horizonte, mas ok, tem o seu tempo, o alecrim, estouvado, claro, uns pontilhados de coentro que o Phelps colocou e quatro pés de alho francês. Fazes assim: quando comprares o alho francês, e se vier com a raíz, deixa cerca de 5cm + raíz e coloca num vaso. Com tempo, terás outro.

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A parte de ter esfacelado mais um dedo é irrelevante, bem como ter podado as roseiras como uma psicótica.
O habitual.
Zero luvas, seria como abraçar o amado com protecção de talhante.

Três acordes, quando muito...

Adoro que me esbofeteiem a mioleira e daí aqui vai: o Zé Pedro era um guitarrista medíocre e um letrista um pouco acima do Clemente. Acontece que morreu, o que lamento, mas foi elevado ao patamar do Jimmy Hendrix. Ninguém se enxerga?

Where is your god now?

02 dezembro 2017

Gastai tempo e poupai no onanismo.

Adoro auto-golos léxico-gramaticais sendo eu exímio atleta na prossecução dos mesmos até ao limite do terreno de jogo quando o massagista descarrega nos meus joelhos duas latas de rexona que posteriormente provocam desmaios fulminantes nos adversários, nos colegas, na esparguete associativa e corpo policial o que vai dar ao mesmo. Não darei exemplos pelo facto de que, ao contrário de inúmeras opiniões, a intermete ser finita.

“GO PLAY, I SAID!”

01 dezembro 2017

"in a lil' while"

Mais dia, menos dia, mas seguramente muito antes daquela idade da reforma já convencionada (que, estejam certos disto, ainda chegará aos 79 anos...), darei o meu grito de Alexandra e mudarei radicalmente de vida. Não creio que nisto esteja incluída a hipótese de emigrar, antes migrar, mui migrar, de tantas formas.

Creio que nunca gostei tanto de mim, e penso que comecei a gostar de mim bem após os 30 anos (só agora sei que tive excelentes oportunidades para gostar de mim muito antes: já era como sou, mas não sabia como apreciar as minhas atitudes e decisões e, por razões óbvias, dependia ainda excessivamente do 'gosto' alheio, invariavelmente de estúpido pendor, esvaziado de empatia, ou de gosto, de facto).