05 agosto 2016

excessos

Sou excessiva, uma pessoa excessiva, até na forma como escuto agora, às 23h27, o despejar dos vidros no vidrão mais próximo, longo, pelos empregados da cafetaria.

O silêncio é-me, a cada dia, mais caro, a maioria das falas do quotidiano tão penosa.

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Razões e emoções, várias, existem há muitos anos, para ter tentado a frequência de um curso de linguagem gestual, não como complemento, mas como apogeu da minha, então, vida de guia-intérprete.

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com agradecimento ao josé luís, que mo alembrou, a uma tagarela desde os 9 meses que, cada vez mais, aprecia o silêncio (não pelo desamor  com as palavras, antes com quem as pronuncia, se é que as pensa).

04 agosto 2016

depois

Gosto genuinamente do pós-algumas situações.

Acordei cedo e caminhei na direcção das dunas.
Alguém tinha já levado, ontem, decerto, as garrafas e os copos e os pratos e os (poucos) talheres, o lixo.

Encontrei:

  • um livro entre os cardos baixos; pela posição, fora atirado, decerto uma brincadeira de ocasião. Sorri e fui buscá-lo. 
  • uma camisa longa de noite, branca. Novo sorriso.
  • uma pulseira de prata com incrustações de semi preciosas em tons de verde e azul, vários tons.
  • uma folha com o desenho inconfundível de uma pauta, aparentemente inacabada.
  • um casaco longo de algodão, branco.
  • um chapéu de abas rígidas, preto.
  • um estojo com pincéis e, no meio, uma moeda cunhada no tempo do João V.
  • uma gata preta enroscada numa toalha de praia circular, invulgar, que abriu um olho, à minha passagem, para o fechar de imediato.
  • um maço de Ventil, clássico, com 5 cigarros e um isqueiro magnífico com uma inscrição que precisarei de auscultar à lupa.



Sentei-me no meio do tesouro espalhado e fumei dois pensativos cigarros, dos achados. Sorri com a ideia de que a poesia é um animal tão em fuga quanto imobilizado, pedindo que a apanhem.

"As mulheres ainda são segunda classe"



[...]
Quando os seus filhos eram pequenos também lhes contava histórias?
Contava, então não contava...

E recriava-as na tela?
Não. As histórias que contava às crianças eram diferentes. Não lhes contava as histórias que me inspiravam a pintar, como os contos tradicionais portugueses. Essas não são histórias para crianças. São histórias para adultos. Eu própria nunca as ouvi em criança. Fui lê-las depois. A Fundação Calouste Gulbenkian deu-me uma bolsa para ir estudar para a British Library. Fui para lá ler contos de fadas de todo o mundo. Li as histórias da Itália, da Suiça, de França, que são completamente diferentes, li as histórias de Inglaterra, que não têm interesse nenhum, são todas sobre batalhas e coisas assim, e li as portuguesas, que são as mais extraordinárias.

Mas já as tinha descoberto antes.
Sim. Já tinha comprado os contos do Leite de Vasconcelos.

O que mais a atrai nesses contos?
A crueldade. É verdade, a crueldade. Apesar de o mundo não ser só feito de crueldade, eu sei.

[...]

03 agosto 2016

gente, querida gente,

vou ao banho (estão  a ver aquela mancha de água deixada pela maré? :)

Tríptico.






(Dê-se então inicio ao cerimonial)

. and the rave goes on .





{ tonight, chez les dunes }




i'm not aware of too many things 
i know what i know, if you know what i mean 
philosophy is the talk on a cereal box 
religion is the smile on a dog 
i'm not aware of too many things 
i know what i know, if you know what i mean










só ralações


Meditando nas opções possíveis para o dress code da festa nocturna, hoje, nas dunas.

02 agosto 2016

consigo perfeitamente ver-me

a colher lavanda.

duas crises de ansiedade, o início sem cont. de uma depressão, a mansão horrorosa, tenho tudo para ser uma descompensada da silva,

Segunda vez

haverá quem pense assim,

que existe gente feia, gente sem inteligência, gente sem quaisquer aptidões, gente-nada.

Quanto mais me movo no tempo, mais sinto que tenho razão. O que há é gente com vontade de mais, de poder, tornando-se feia, estúpida, inepta, gente-poder. Uma ilusão, como qualquer outra. Como ser agredido e não só não ripostar, mas jamais apresentar queixa.

e existe aquele momento exacto


  • em que percebes que não foste feita para a guerra, mas para lá te conduziram. Em simultâneo, a mais temível das contradições: és tão capaz de afecto quanto de desafecto, ambos absolutos.

really annoying

A transpiração sob as mamas. Antes as augas frias da Finisterra, lá onde acaba o mundo.

ask me, in case you never really understood what i've been trying to say

Eu não quero emigrar. Não é um não querer de traseiro acomodado (gosto imenso de o mexer, aliás, sempre gostei), de patriotismo bacoco, de bandeirinha feito. Gosto de falar a minha língua, de com ela fazer trocadilhos e ser educada e também usar o pior vernáculo. Gosto do clima, da paisagem, da gastronomia. Gosto do mar que vem lamber os areais, das montanhas e do verde. De receber estrangeiros.

Hoje, pela segunda vez (na primeira tentativa, vai talvez para um ano, levei de imediato com um não! redondo e tão cheio de arestas, recheado de contradições que não entendi nunca), apresentei a minha desmotivação como facto consumado, as minhas competências com tanta pestana queimada, como uma possível experiência válida também para a divisão de turismo. Não sou exactamente de desistência fácil. Desta vez, falei-lhe da desmotivação total que sinto, sem sequer desleixar as diversas incumbências que tenho em mãos (sabe-o bem). Não sei se foi da honestidade, mas respondeu-me que sim, que prometia pensar seriamente nesta transferência de lugar e funções. Falei-lhe do voto do confiança e do benefício da dúvida e que encararei com total aceitação a possibilidade de não corresponder a eventuais expectativas, passado um tempo de experiência a definir, caso a resposta surja afirmativa.

Resta-me aguardar e continuar a tentar la France, le Sud, plus précisément.

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Transferida, os meus honorários mensais passariam para mais € 300,00 (técnica especializada i am). Popó? Menos, aprox., € 100,00/mês. Trabalho a 200 metros. Gente com outra atitude, gente que conheço bem, e nisto mantendo o meu princípio de que trabalho não implica jantinhas, coisa abominável, gosto muito de separações de facto.

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Continuo, não obstante o exposto, a não querer viver aqui por mais de 1 ano, e um ano são muitos, demasiados dias, mediante as circunstâncias concretas de cada um de nós.

Vista do sótão.

© Lucien Clerge

Não há nada como vir ao pôr-do-sol quando as gaivotas regressam à praia. De certo era este o som do mundo antes do homem existir. Quanto é que isto me irá custar?

01 agosto 2016

ATINGIU O SEU LIMITE DE ARTIGOS GRATUITOS

raios!

tenho vontade de cantar.

mum on the phone

E a educação sexual:

- já acabou o trabalho de férias?
- já.
- e agora?
- uma semana de férias com o pai e a mana.
- ah, depois tem férias com o amigo.
- o namorado, mãezinha, talvez, com amigos, sim, ainda não decidiram.
- no meu temp
- no teu tempo nasciam prematuros perfeitinhos, as mulheres e os homens não tinham educação sexual, como eu não tive, mas vão tendo, e já não se trata de prematuros perfeitinhos, trata-se de gravidezes indesejadas, de doenças, algumas de relações ocasionais. É muito importante que uma mulher traga na carteira preservativos.
- ......

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Por muito que lhe custe, sabe que tenho razão, mas jamais mo dirá.
Hard it is, to teach a mum (who, in fact, agrees without agreement).

sobre a insegurança e a mesquinhez

Conheci hoje o tradutor-intérprete local do inglês. Casado. A mulher é, francamente. objectiva, de espírito empresarial. Comecei por gostar dela até saber, hoje, o jeito que lhe dei traduzindo for free relatórios de análises, ela recusando depois um convite para uma cerveja, às 18h45. Muito trabalho, na volta do sms, que no way. Folgo em saber que, sem saber, lixei o trabalho de um colega (desculpas devidamente apresentadas, com link para a tabela oficial, que se trata de um pirata, na gíria profissional), mas finalmente a percebi.

Numa vila, como numa cidade, tudo ligado.

E ela, afinal, tem ciúmes de uma mulher 3 anos mais velha, que não tinha intenções de fazer nada de nada. Se é mesmo disto que se trata, é bom que olhe em volta, que a vila está repleta de mulheres magníficas. 

let's celebrate: acabo de saber que não sou eu a dever € 142,00 à Three Gorges, é a Three Gorges que está em dívida para comigo: € 45,16: parece uma ilustração, mas não é, é pintura, and i still can't afford it