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22 julho 2016

em choque, que é palavra feita à minha medida, digamos, eléctrica

Uma mãe que entra num café de adolescentes e jovens adultos antes da uma da manhã e desata a gritar ao filho que vá para casa. Que lhe despeja em cima as dez cervejas que estavam a ser utilizadas num jogo colectivo de amigos. Que vai munida de um pau e desata a bater-lhe com ele.

O café, cheio (de amigos dele), em profundo silêncio.

Uma mãe que, por jamais ter sido acarinhada, nunca vi dar um beijo, um abraço, uma palavra doce, aos filhos.

Um marido que, distante destas atitudes, tem sido o pilar de estabilidade da família, o ponto e vírgula na disfuncionalidade.

Dentro de uma semana, serei eu a sugerir-lhe (ao pai), eu, que nem sequer me permito aconselhamentos, sequer a pedido, que sugira ao filho, e lhe pague, o alojamento em casa de colegas estudantes vindos de fora.

Eu não sei como não chorei, como não choro, diante disto, eu, que saí de casa aos 18 anos (ele, tem 21) por ter levado uma bofetada do meu pai (que soube o tremendo erro que cometeu no mesmo instante).

Estou em choque, não imagino um décimo da humilhação que terá sentido, não imagino sequer se alguém tivesse chamado a polícia, que é exactamente o que ela merecia, por agredir um cidadão adulto, publicamente. Por não ter nele visto, por um instante que fosse, o próprio filho.

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Por outro lado, não me surpreende. Conheço o estado de choque como a minha exsudação, existe, mas não cheira.

21 junho 2012

is that fear in your pocket?

As (diga-se) muito poucas mulheres a quem até hoje pude chamar amigas têm comigo uma afinidade: todas se deram sempre melhor com homens (poucos). É inevitável que, chegado o festejo insalubre do Dia da Mulher, se tente passar ao lado ou, em alternativa, deixemos que nos saiam as unhas. Vou lendo, a espaços, devotos textos em louvor da Mulher, esse género superior da espécie que invariavelmente é superior por aguentar toda a espécie de violências, mas raramente se considerarem as auto-infligidas. E não, não estou a dirigir-me aos saltos altos, à maquilhagem, ao múltiplos acessórios, que aliás só não estão presentes no outro género em idêntica quantidade por razões culturais. Ou estão, mas salvaguardadas as diferenças principalmente de 'porte', pelo que podemos suspeitar que estarão, então.

Numa discussão recente entre um grupo de mulheres apanhei-me a defender o Ronaldo por considerar (e faço poucas considerações acerca dessa magna questão que é o futebol, mundo que desconheço) que, estando em jogo uma selecção nacional, se revele injusta, pouco consequente e penalizadora para a restante equipa, que é uma selecção, recordemos,  a expectativa depositada exclusivamente num dos jogadores, qualquer que seja. A discussão passou e, meia hora depois, surgia a medicina tradicional e as alternativas. Por não defender exclusivamente a tradicional ou as alternativas, mas um diálogo equilibrado entre as possibilidades existentes, sou acusada de radical e pouco dialogante, já que até na prevenção é com a tradicional que podemos contar. Fora da questão ficaram as alterações e os desequilíbrios recentes do SNS, as privadas, a relação de confiança que é necessário manter entre quem presta o serviço e os utentes desse mesmo serviço.



No rescaldo destas discussões invariavelmente dou conta de que a única vantagem evolutiva da espécie à qual pertenço é a inteligência, expressa de muita formas e nem sempre discursivas. E apraz-me confirmar que atacar o pobre Ronaldo ou defender em exclusivo a medicina tradicional à qual recorrem no modelo público somente quando a privada não responde por falta de equipamento e meios, é mais revelador que qualquer outro item que possa agora trazer à baila para justificar os problemas que sem querer revelam, sendo Mulheres autónomas, sem filhos, emancipadas e bonitas, rodeadas de Homens autónomos, sem filhos, emancipados e bonitos.

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adenda: lá fora urram Portugal, que para mim ainda é murmúrio doce quase ininteligível.