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04 agosto 2017

duas cadeiras, quatro

Trouxe duas, daquelas mesmo repelentes, mas sobre as quais o pensamento - ainda sem traseiro - brinca, divertido com as transformações, as cores. O cansaço é demasiado para ir agora buscar as manas e o Filipe chateou-me a cabeça de tal forma, por tê-las trazido, que quase vieram sobrepostas na sua cabeça, pelo que vos peço que, nas vossas orações nocturnas de hoje, peçam muito para que encontre as manas, pela manhã, pois quero muito trazê-las.

Merci, sois boa gente, etc. :)

11 janeiro 2012

em volta e lá dentro


É esta a imagem do quarto de albergue perfeito para quem está só de passagem. Acolhedor para seis pessoas, limpo e lá no alto. Não podendo erguer-se ao sótão, caso o pé direito o não permita, que tenha uma janela ampla, com moldura de madeira, a dar para um pátio ou para um quintal com couves que se veja que são colhidas para a sopa, pois apresentarão pequenos cortes no caule. A janela visível poderá ter um parapeito com duas ou três moscas mortas e pagelas beatas com cores fortes gastas nos cantos, esquecidas por viajantes anteriores ou mesmo ali deixadas de propósito, nunca saberemos. Na parede oposta, junto à porta, estará uma cómoda baixa com puxadores de latão envelhecidos que alguém foi recuperar da casa de um familiar falecido. À semelhança, aliás, da maioria do mobiliário que encontraremos nas restantes divisões da casa. Quatro gavetas a toda a largura, para os peregrinos que optem por retirar a roupa da mochila e permanecer em descanso por mais do que uma noite. Acima, duas gavetinhas menores para a roupa interior. Abrindo casualmente a da esquerda, encontraremos um jornal português, que retiraremos por curiosidade. Não o lemos da data que aparece impressa, claro, que nem sempre lemos os jornais porque já deixámos de os comprar e nem sempre os encontramos no café do costume porque o freguês anterior o levou para casa dentro do saco das mercearias. Alguém disserta, nas primeiras páginas, sobre Deus e sobre o Amor e sobre as pessoas em volta e lá dentro.