muito me surpreendeu, no regresso da rave na praia, encontrar o joão gilberto a afinar o violão, sentado num banco alto no salão de fumo. sempre pensei que estivesse no rio, com os jogos olímpicos e tudo isso. cumprimentou-me com um leve aceno de cabeça. pedi-lhe envergonhado que tocasse um dos meus temas preferidos da velha bossa nova. nunca, mas nunca, me disse que não.
doralice, eu bem que lhe disse,
amar é tolice, é bobagem, é ilusão
eu prefiro viver tão sozinho
ao som do lamento do meu violão
.
doralice, eu bem que lhe disse,
olha essa embrulhada em que vou me meter
agora amor, doralice, meu bem,
como é que nós vamos fazer?
um belo dia você me surgiu,
eu quis fugir mas você insistiu.
alguma coisa bem que andava me avisando,
até parece que eu estava adivinhando
eu bem que não queria me casar contigo,
bem que não queria enfrentar
este perigo
doralice,
agora você tem que me dizer,
como é que nós vamos fazer?