(absolutamente)
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(furto dedicado às minhas filhas, que sabem que jamais as infantilizei)
Dia 11 de Outubro é o dia internacional das raparigas (ONU, 2011) mas é também o dia a partir do qual as mulheres deixam de receber.
A desigualdade salarial em Portugal corresponde a uma perda de 58 dias de trabalho remunerado para as mulheres.
Começamos, hoje, a trabalhar só para aquecer.
Olhem à vossa volta! Vejam a quantidade de mulheres com que se cruzam em situação laboral. A condutora do autocarro, a funcionária do café, a funcionária da escola, a professora, a porteira, a segurança, a funcionária da limpeza, a colega do lado com menores hipóteses de progressão basta recordar o dia da entrevista em que lhe perguntaram se tencionava engravidar, uma chefe que ganha menos do que o homem com quem partilha funções...Agora, imaginem o vosso dia sem elas.&
11 de Outubro é o Dia Internacional das Raparigas, mas é também o dia a partir do qual trabalho sem receber.
A desigualdade salarial entre géneros em Portugal corresponde a uma perda de 58 dias de trabalho remunerado. Significa isto que, em média, pelo simples facto de ter nascido com útero, ovários, vagina, as mulheres a desempenharem as mesmas funções que as outras pessoas que nasceram com pénis e testículos são penalizadas. São mais exploradas. Vendem a sua força de trabalho por um valor inferior.
Além de todas as outras opressões que acrescem a esta, tão simples e tão óbvia, se as mulheres forem pobres, se não forem brancas, se forem imigrantes, se tiverem uma orientação sexual diferente da normativa...
A maior parte das famílias monoparentais dependem do salário de uma mulher, que permitimos ser inferior ao que devia, perpetuando o ciclo de desigualdades particularmente penalizador para os mais pobres.
Não somos o sexo fraco. Não somos menos competentes. Não temos menos formação nem menos capacidades. Não somos pessoas de modo algum inferiores. Porque aceitamos ser tratadas como trabalhadoras de segunda?
Até quando vamos - todos nós, pessoas - permitir que um género seja tão descaradamente, tão violentamente subjugado e remetido para um lugar secundário e acessório na sociedade e no mundo laboral?
Porquê? Até quando?
Nas asas do desejo. Vejo-os dobrar a esquina do outro lado da rua. Ela, de branco, a mão direita dentro da dele, como uma concha, a esquerda a segurar a miríade de folhos do vestido. Ele vai de preto e carrega uma mochila às costas, semiaberta, de onde pendem duas longas pontas de um véu branco, que a brisa da tarde faz parecer um adejar de asas. O nariz imperioso, o olhar estendido para a frente, para uma nova e irresistível promessa, não deixam margem para dúvidas. É um homem-anjo, a pulsar de paixão e ternura, flutuando acima da terra, do oceano indiferenciado de pessoas e das sirenes que rasgam o céu. Que outro sentimento seria capaz de conferir aquele incessante bater de asas?
(Dr. Gica)
Por todos os camaradas que neste dia estão a dar o litro, a troco de salários miseráveis pagos por empresas gananciosas com administradores avarentos e insensíveis.