Da Tristeza Que Advém Da Polenta. (Leonardo Continuous Ostinato de Post Traseiro Vinci)
Tragam-me um homem que me levante com os olhos que em mim deposite o fim da tragédia com a graça de um balão acabado de encher tragam-me um homem que venha em baldes, solto e líquido para se misturar em mim com a fé nupcial de rapaz prometido a despir-se leve, leve, um principiante de pássaro tragam-me um homem que me ame em círculos que me ame em medos, que me ame em risos que me ame em autocarros de roda no precipício e me devolva as olheiras em gratidão de estarmos vivos um homem homem, um homem criança um homem mulher um homem florido de noites nos cabelos um homem aquático em lume e inteiro um homem casa, um homem inverno um homem com boca de crepúsculo inclinado de coração prefácio à espera de ser escrito tragam-me um homem que me queira em mim que eu erga em hemisférios e espalhe e cante um homem mundo onde me possa perder e que dedo a dedo me tire as farpas dos olhos atirando-me à ilusão de sermos duas novíssimas nuvens em pé. Cláudia R. Sampaio, in Ver no Escuro, ed. Tinta da China