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25 janeiro 2020

This is The Last Man Standing


Verdadeiramente, 1917 começa quando o plano-sequência filma Schofield ao acordar depois de uma queda aparatosa em que bate com a cabeça no patamar da escadaria, ensanguentando-a, já em Écourt. A missão ganha no significado o que até ali não tivera em sentido e verbo. Torna-se urgente, como uma fé. Como chama, redenção, mas urgência. E com muito tiro e bombardeio à mistura, vamos deixando, pelo filtro do voyeur, o horror vítreo da guerra nos cadáveres filmados à Mel Gibson, para entrar na densidade humana da guerra. Em gestos tacteares como o encontro com a mulher e o bébé no abrigo subterrâneo de uma cidade consumida até ao chão.

Não há grande cinema em 1917. É um filme de tarefas, ambicioso e bem intencionado, mas fora do ADN que liga um Apocalypse Now (1979) a um The Thin Red Line (1998). A imagem de maior importância parece um decalque, obsessivo, de American Beauty, mas com 1/5 do esplendor, quando surgem pétalas de cerejeiras a correr na mesma direcção que a corrente do rio até Schofield sair do leito gatinhando por cima de cadáveres óbvios.

Sam Mendes entregará a carta sem muitas ondas de Apocalipse à figura mítica mas mole do Coronel MacKenzie, coisa atirada para os livros de Conrad. 1917 é a esperança, uma amizade testada na passagem de testemunho. Duas linhas e...

...Schofield, que acorda com gotas de chuva, sendo verdadeiramente lágrimas, escorrendo-lhe pelo sentido inverso na cara devido à posição corporal, lágrimas produzidas para engolir, e amnésico; mas a única memória que perde é a de onde começou esta jornada transformadora: o final de 1917 trata de dar o eco, suficiente, desta operação, comum a todos os filmes de guerra. Schofield é um homem desperto agora, que transporta consigo uma Linha de sombra rente à Linha de vida.