14 junho 2020

Fitinha

Assentou praça neste lugar há coisa de dois meses. Sinto-a como aspirante a algo. Homessa, porque não a fóssil?


#semfiltro

13 junho 2020






[em demanda do nocturno mais-que-perfeito]










nada se lhe consegue opor



Talvez o mundo se tenha construído no primado do pensamento para exacerbar os arrebatamentos do amor. Que são imensos, bonitos, infinitos - e é a conta que devemos fazer lá para o fim. Amar alguém não tem preço, extravasa tudo e desconstrói as certezas da razão muito facilmente; as camadas e as máscaras que foram adicionadas para tapar e destruir essa verdade intemporal esboroam-se na presença insubstancial do amor. Que poder magnífico é esse...


12 junho 2020

A Casa Pelo Ar




e é a luz que uma vez salta a beira do janelão da sala
e que inunda a casa é a luz que aquece o tornozelo

um mar ortogonal pintado
desertos
sede de abismo

e é a luz que ilumina o quarto além já
e que em breve salta a janela

e é quando a casa estiver atravessada pela luz
e que a luz encontre mais luz

os alicerces mover-se-ão
a casa não mais pertence ao chão

e é assim que a casa voa
e é como um balão de ar quente no ar
e é fio pêssego consciência


10 junho 2020

31 maio 2020

Crianças no Prado


E recuerdos com autocolantes & imaginação.

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(mantenho o caderno como o fizeram, divertidas, numa altura, tão pequeninas, em que já distinguiam a Sarah Vaughn da Ella Fitzgerald, por exemplo)
Não existem problemas políticos que não sejam, primeiro, um problema de alma e cultura. É aqui que começam os problemas políticos: no que cada um é. Enfrentar isto é como enfrentar um abismo colossal e atrever-se a terraplanar o promontório do que cada um é. E então surgem os problemas políticos, quando se constata a impossibilidade da máquina para mudar a paisagem [da alma e cultura]. Toda a política que não se faça segundo um integralismo - não apenas o diplomático e exterior prático do díptico economia/cultura - entre o abismo individual e a universalidade do anseio humano (o bem, a liberdade, a felicidade), nasce já castrada e condenada ao fracasso imenso.

30 maio 2020

silly me!

Ainda não tinha partilhado aqui esta chanson maravilhosa, que é agora o meu som de chamada no tlm.
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(apetece não atender, para escutar tudo)
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(já pedi ao meu querido primo e colega que me ligasse, só para ouvir, mas não ficou deslumbrado, ele é mais Paradise Lost & Stuff :\\\\ )

26 maio 2020

As mãos remam. Tudo é. O universo arrefece completamente. À deriva, o barco entra no morno útero do tempo e o sumo foi a memória negra sem fim da página vazia sem sinal de método. A vida é aqui (aqui), acidente, mosca, efeito, este mágico glissando de saxofone aparafusando as costas e volvendo ao trabalho de mínimo arabesco. Onde estrelas explodem à sua fé absurda e corações aplaudem no teu coração a íngreme angulosidade da rua. A luz no poema salta o muro e ilumina a planície do corpo de palavras. Um zoo. Um zoo dito de cór. Um zoo que anda. Verde elefante é cor do meu pôr-de-universo. O escudo da minha mudez são as mãos que remam para o universo que arrefece.

25 maio 2020

Rondará os 75%

A percentagem de pessoas que excluí da minha vida, nos últimos 4 anos. Gente fraca, sem carácter, que não assume individualmente uma posição, um argumento, antes esfaqueia pelas costas, por falta de coragem ou, quando fala, assegura-se primeiro que tem aliados, gente igualmente obtusa, falsa, perversa.

Jamais precisei, ou admiti, aliados, nisto de afirmar o que sinto, muitas vezes, de resto, enunciando claramente a minha dúvida pessoal, a incerteza. As minhas convicções são de outra ordem.

Esta atitude mudou para uma espécie de outro patamar mais raso (comigo não existe podium), mais liminar.

Dei-me extraordinariamente bem com esta nova forma de viver os dias: se não quiser, ainda que mo peçam, ninguém se senta à minha mesa. Nem tenho que alegar a leitura suculenta do livro em mãos, naquele momento. Basta-me um:

- Preciso de silêncio (e quem me conhece sabe que posso estar rodeada de asneiras e caos e manter-me alheada, focada naquilo que me dá prazer)!

18 maio 2020

Fotossíntese

É o que chamo aos 40 minutos de voltas pelos 4 hectares do recinto, lá no desemprego dos dias. Chova ou faça sol (ele está lá, mesmo que chova!).

Como em 20 minutos, da marmita, basta-me, e até mastigo com vagares.

Porra para quem se enfia em centros comerciais, não pescaram nada.

Nunca!

16 maio 2020

Donatien Sombrio Alphonse Luminoso François Transparente de Sade

Tudo nisto me recorda o Divino Marquês, em nada a referência à qual reporta o videoclip e a chanson e o livro e o filme, que não vi nem lerei.

É só uma questão de beleza, seja ela traduzida pela modulação da voz, o cenário com corpos em movimento, o sobrevoar de uma ave rara, os lustres, o jogo de luz e sombra.


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Como quase tudo o que marcou a minha forma de observar o mundo e as gentes, li o Marquês aos 16 anos. Aprendi cedo a filtrar o preconceito que só a imensos espaços - no tempo - me assiste/assalta. Mui raramente.

15 maio 2020

finalmente, de um lado para o outro ou, em francês, movin' the ass

Estava absolutamente precisada destes quilómetros todos das últimas semanas, incluindo os cumpridos nos corpos.

Não me recordo de uma relação de meses tão vibrante, ainda não publicamente assumida, mas para quê, quando toda a gente já sabe?

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(aquela imagem do cordão dunar, única, a caminhada loooooonga, ser chamada de sereia, isto fazia-me já falta, uma falta tão delicada quanto abrupta, que eu não sou exactamente de romantismos, antes o oposto)


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(vou e volto, calma, amores :* )


13 maio 2020







a minha lisboa é mais linda que a tua
...e tem varandas como deve ser