14 janeiro 2020

ODD SENSES, PsyOpus, 2009

Em parte decorrente, ou melhor levantando o véu ideológico, corrente do nihilismo negativo, no movimento cultural new weird america, a explosão verificada da fusão hardcore desde meados de 90, depois de o final de 80 ficar memorizado pelo lançar do alicerce, baseado a partir do hardcore punk, post-hardcore e linguagens periféricas, por norma mais espirituosas, o mathcore é uma réplica de um terramoto chamado math-rock. Caring and Killing (Converge), American Nervoso (Botch) ou Calculating Infinity (Dillinger Escape Plan) são os primeiros transgressores no conteúdo e a ideia de protesto da posição chegou também, ainda em 90, pela singular visão apocalíptica no universo da fusão pluri-hardcore perpetrada pelos Meshuggah, ou na neo-onda os Benea Reach, ambos a partir da Europa fria e setentrional, a um nível de desconcerto estético impressionante.

O avant-garde friccional, que os fez orientar todos no sentido do caos irreversível, patológico, do realismo psicótico e competir pelo maior objecto anti-arte [non-sense, humor negro, absurdo…], hoje, é o tema como vértice, mas nunca a base de uma série de músicos na cena norte-americana. Entre os objectos de colecção, podemos facilmente e de um modo provocatório documentar espectros tão singulares como o metal progressivo (Between The Buried and Me, Protest The Hero…), o grindcore, o black metal/death metal (PsyOpus…), fusões de vanguarda (Genghis Tron, Behold…The Arctopus…), e o tradicional hardcore. Para interpretar familiaridades, que tentam exprimir a resistência cinética da arte extrema, estes são os veículos primários do que mais técnico e à frente do seu tempo se produz hoje na música alternativa, com a utilização de técnicas de gravação avant-garde e composição musical improvisada que traz no dissídio da mentalidade a herança do erudito.

Na analepse da música experimental matemática e fusões híbridas, com core, bem duro e moderno, o aspecto diegético dos PsyOpus, banda basilar da nova onda mathcore, estrutura-se para lá da oposição entre masculino e feminino. O death metal é a tinta com que escrevem páginas desarmónicas de extrema tecnicidade, sobre lustro hardcore, com sentido dadaísta, de emergência caótica, nunca à procura da apoteose artística, mas em conjunto, buscar a exploração de cada elemento anti-sentido. De toda a incongruência fractal, Odd Senses é o terceiro e mais maduro, plausível, mimético das interrogações semânticas que sempre existiram no espírito de grupo que confunde sistematicamente actor com instrumento; da força criativa e experiência existencial de um micro-cosmos impossível de ler.

«The Burning Halo»

6 comentários:

alexandra g. disse...

"ímpossível de ler", conforme o afirmas, tantas as designações & derivações & etc.

Foda-se, afinal já não é possível escutar uma chanson/uma música, sem o 'epitáfio'?

Porra, Diogo, que exacerbação de!

Diogo Almeida disse...

Eu era um descarrilado perfeito em 2009. Concordas?

alexandra g. disse...

Ainda és :)

alexandra g. disse...

Yet, lucky you, acho-te graça, nesse impasse entre a exacerbação introspectiva/efusiva :P

Diogo Almeida disse...

«perfeito» no sentido de quase-equilíbrio.

oh, shut up, ou começo a babar a hospedaria toda! :) *

alexandra g. disse...

Se babas a hospedaria ficas de serviço nos turnos todos da limpeza, vidraças incluídas, refeições completas, varrer a areia que todos trazem nos pés, o mar aqui tão perto!, a arrumação dos espaços colectivos :P