Deitei os pés ao primeiro degrau e subi as escadas de acesso ao sótão. Abri as janelas de para em par. Sei perfeitamente ao que venho. Tenho a ideia exacta do que desejo. Um pouco de descanso, um breve instante subtraído à cadência dos dias, uma parcela de tempo presente, um apego à trama lassa da existência, qualquer coisa de instintivo, enfim uma ou outra grosseria de alcova. Tenho tudo para escrever a saudade. Tenho tudo para escrever os desígnios. Tenho as letras perfeitamente alinhadas, os dedos inclinados sobre as teclas, o silêncio da voz, a nostalgia humedecendo-me a boca, a pele recordando afectos e caricias, a música invadindo-me o mais recôndito e profundo patamar do âmago. Mas, não. Nada. Rapidamente percebo que me enganei em todos os infinitivos conjugáveis. A página continua em branco como que a iludir a ausência. Não há palavras para desenha-la. Apenas umas palpitações electrizantes no corpo todo. Um ou outro soluço intermitente. Uma teimosia pacifica. Esta errância pelos corredor das pessoas sem história.
E vós, caros hóspedes, já arejastes os vossos aposentos?
7 comentários:
(os hóspedes são o arejamento, querido Man With a Chair, if i may say :)*
Nem Machado de Assis disse melhor com a lei da equivalencia das janelas. :)
(Eu vim abrir a minha)
Pode mandar ligar a água quente, por favor?
A chuva voltou, talvez tenhamos de voltar a fechar as janelas
Eu acho melhor é ligar o aquecimento central :))
Eu não mando nada, é verbo que não consta na minha linguagem/cérebro, Man With a Chair :)
Maria, cadê a gaja dos ventos na cara, agora apiegada, encolhedo-se com a bela chuva? :P
Snowy, Snowy, essa cousa só serve para nos desidratar, tal como o AC (e eu já bebo, entre augas, infusões, durante o dia, aprox. 2,5L, mais seria demais :)))
GM, também não a estou a reconhecer.
Snowy, se me permite, assim nunca mais estreia a mini-saia.
Alexandra, é preciso chamar os hóspedes à recepção. Passam demasiado tempo fechados nos quartos.
:)
Man With a Chair
Se me permite, este muito bem! :)))
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