17 fevereiro 2019

adoro gajos como eu e

e tive que explicar parte disto a um cigano, a palavra 'gajo', hoje mesmo.

O contexto/situação:

na cafetaria, onde estava eu, alone, e, mais adiante, dois homens em amena cavaqueira, eis que chega um casal cigano da minha faixa etária; ela é recatada, ele é muito sociável e vai de se sentar com os amigos adiante, deixando-a sozinha noutra mesa, bebendo uma Coca-Cola. A parte bera: falavam demasiado alto, pelo que ouvi a conversa na íntegra, ele - o cigano, gabando-se da mulher A + da mulher F + até, da Dra.X, que "só não fodeu" porque não quis. Enquanto isto, interrompi por diversas vezes a minha leitura do Nesbo para a observar, manifestamente incomodada. Terminado o consumo, e tendo-se retirado os outros dois amigos, abordei o casal cigano e disse-lhe, a ele, do incómodo dela, que foi deselegante e que, se tivesse acontecido comigo, me teria retirado de imediato. Desfez-se em auto-complacência: que jamais a traiu/trairia, que é assim de "feitio", que ela o conhece. Nesta altura, ela levanta-se, agradece-me, e diz-lhe que sim, que o conhece, que não desconfia dele, mas que efectivamente se sentiu mal, como se não estivera ali, que preferia que ele mantivesse, se assim lhe agradam tanto, aquele tipo de conversas na sua ausência.

Disse-lhes, a ambos, que numa situação futura de idêntico teor, a convidarei para a minha mesa, ou a levarei a casa, a escolha será dela.

Saímos em simultâneo, ninguém já magoado, ele afirmando que sou pessoa de bem: é irmão do outro cigano, ou seja, filho do homem ao qual o meu bisavô guardava o burro, na loja, e com quem caçou, anos a fio.

Ela abraçou-me, já na rua, tão, mas tão agradecida, que precisei de me despedir com um «Cigana sou eu, encontramo-nos lá na próxima feira!». Gargalhada geral: conhecem-me, como eu os conheço, mas diante de mim aquela humilhação que a C. sofreu não voltará a acontecer. A promessa ficou feita.



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(a mulher adorou, and so did i)

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