07 janeiro 2019

aquele rectângulo de terra meio selvagem ao qual chamo jardim

Depois de plantados os cactos e de outras espécies que desconheço (colhidas à beira da estrada), hoje arejei a terra com os ferros, podei a hortência, coloquei na terra os bolbos daquela túlipa formidável (e eu é mais verdes). A amoreira recomenda-se, como os horizontais de bolinhas vermelhas. Amanhã terei que podar a japoneira, parece eu quando me esqueço que tenho uma cabeleira e, bom, hoje já não aguentava mais, mas ainda separei os ramos da hera e coloquei alguns nos muretes, mais verde espalhado. Os três vasos de terracota com suculentas, junto à porta do prédio, estão felizes, mas dois deles menos que o outro. Penso no que farei, agora que os dias se alongam, e posso ter um tempo para lhes dedicar, e à japoneira, uma atenção delicada. Ainda varri o pequeno terraço, que não quero que brilhe como os demais. Musgo, alguma terra e folhas, líquenes, são parte integrante do meu mundo.

Passaram conhecidos, elogiando o esforço, apreciando o que lá está, soube-me bem escutar, até ali falando somente com os sítios onde as mãos pousavam.

Jamais desejei um jardim tradicional.

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