16 novembro 2017

Quotidianos.

O céu está azul, sedoso e atafulhado de frio contra todos os meus interesses. A casa tem vidros duplos e um desumidificador a funcionar durante 3 horas no quarto antes de me deitar o que não impede a sensação de os lençóis terem saído do frederico. Hoje a cama será presenteada com roupa polar, seja lá o que isso for, desde que não inclua uma ursa mesmo que embalsamada. O almoço? sardinhas assadas no terraço que migraram esta madrugada do Atlântico para a grelha e às quais alguém que bem conheço chamaria "dois figos" (questiono-me quanto guito terá encontrado no chão por estes dias; é dada a esses felizes acasos fiduciários). Se os trapos polares não me aquecerem devidamente, não terei remédio a não ser dormir com um fato de surf onde o meu irmão já não se enfia.
De manhã cedo enquanto aguardava na sala de espera de Centro de Saúde, que apresenta um surto de legionella residual não preocupante e que se resolve com mata moscas baratucho, escutei durante aquilo que me pareceu ter a duração de um período glaciar uma mulher a explicar-me que lhe tinha aparecido um "caroço" na garganta o que não a impediu de me chagar a molécula e inundar-me de perdigotos. A propósito, ou não, chamava-se Anália e toda gente conhece a permanente guerrilha que tenho em lembrar-me dos nomes certos de pessoas e lugares mas este ficou indelével. Foda-se, que ele há gente que ou tem um desmesurado orgulho no desastroso nome que lhes puseram ou desconhecem o bypass que dá pela designação de pseudónimo.
Lá fui pelo corredor fora em direção ao consultório para o habitual interrogatório segundo o método Socrático (o outro, o bom, pá!) onde em média ouço "Tá bem ?!" umas 35 vezes por minuto suspeitando eu que com meia-dúzia de aulas trocávamos de cadeiras. Talvez no próximo mês. 



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