29 setembro 2017

precisamente,

Vou-lhe dizer, até, que à medida que os anos vão passando nós vamos valorizando, se calhar, a componente humana mais do que a técnica. Em princípio, ‘we should master’ [devemos dominar] a parte técnica, o que não quer dizer que seja sempre assim e continuamos a perder doentes, às vezes. Mas acho que a vida e os anos nos vão despertando mais. Se calhar estes internos novos que aqui tenho estão muito preocupados com a performance técnica, os seus ‘skills’ próprios. Não quer dizer que desrespeitem o que é a pessoa mas estão tão embrenhados naquilo… e é fácil, numa especialidade muito tecnológica, ultrapassarmos a sociologia da própria profissão, mas na minha fase de vida, a gente passa a ligar mais a isso. Passa a emocionar-se mais.
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Eis a razão pela qual, absolutamente desiludida e desmotivada (e sabem-no, já o disse) fiquei hoje até às 20h15, quando tinha um compromisso às 18h45, devendo sair às 18h30. O meu lado humano jamais permitiria que me removesse, sob pena de comprometer a casa onde desemprego os dias e, com ela, a minha pessoa e muitas outras que, tanto pessoal como profissionalmente, merecem francamente mais, muito mais.

Não saí sem o dizer ao Coord., pela primeira vez com vários "merda!" ( a remuneração, idêntica há uma década, mínima, a mínima, os horários, a falta de comunicação, a desvalorização da iniciativa pessoal, as ideias apresentadas, a motivação individual, independentemente das condições/falta delas, o brio, a dignidade do conjunto............) pelo meio.
Pela primeira vez, admitiu.

2 comentários:

Tétisq disse...

sou a favor de que o humano prevaleça sempre sobre a técnica. Infelizmente, o passar dos anos, que nos deixa essa certeza, faz o mundo cruel de valores invertidos.

alexandra g. disse...

é lutar, querida Tétisq, até ficar queimada, como já estou, aqui (aconteceu, aprox., no meu 2º ano nesta terra). É saber que não há nada a perder quando sabemos que nos dão, a quase todos, como perdidos, mas sem a nossa presença, corpo, iniciativa, não teriam nada, sequer a casa onde exercem por mor das cunhas, quando nós entrámos por mérito próprio.

a minha luta jamais se pautou por "devem-me isto e aquilo", jamais, a minha luta sempre se pautou por saberem, pelos actos e pelas palavras, que sou efectivamente melhor, daí a linguagem solta e ver-lhes na tromba a vergonha (a deles... na merda :)