26 agosto 2017

David Fray

No ecrã do lado esquerdo estão ainda em exibição restos do meu trabalho de hoje, já arrumado nas pastas. No do lado direito, que é maior e está mesmo à minha frente, está a música à qual volto muita vez. Por necessidade não só de a ouvir. Mas de a ver. De a ver sair duma tamanha paixão, duma alma inteira, o mundo nas mãos. Gostava tanto de ser assim.


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o filme tem a duração de 1h e 37' e eu acho pouco.

4 comentários:

Impontual disse...

Maravilhoso!

Susana Rodrigues disse...

Tão inspirador, não e?
Obrigada pela paciência de ter ido ouvir.
Abraço, Impontual.

josé luís disse...

os puristas não gostam destas "liberdades de interpretação". e é verdade: o que o joão sebastião escreveu não é aquilo, é outra coisa, um louvor divino austero mas esmagador, para glorificar deus mas - talvez inconscientemente - incutir medo e fé, numa espécie de criação global acabada, sem grande margem para leituras pessoais. mas, por outro lado, os concertos dele são tão mágicos que é difícil a um ouvinte ou a um bom intérprete - e este é-o, sem dúvida - não querer exteriorizar o que se sente, corporizando uma abordagem própria. foi assim com gould e tantos outros, que o conseguiram recriar como se aquela música se pudesse reinventar de novo, a cada vez que é tocada. ou ouvida. tome-se o "largo" do concerto em fá menor - e descubram-se as sete diferenças :) https://youtu.be/zc5lhK00GSg

Susana Rodrigues disse...

que fabulosa comparação, josé luís! de facto as interpretações são diferentes, e ambas carregadas de beleza. aliás, ao contrário dos puristas, eu acho que a forma como a música ecoa dentro de cada um é obra da natureza e não uma opção desse cada um, digamos. o facto de Bach ser tão "sentido" talvez advenha da força que ele próprio cunhou na sua música enquanto a compunha. há muita paixão, há doçura, há de facto medo e drama também.
a nossa maravilhosa Maria João Pires, sendo mulher e sendo, arrisco, mais velha que o jovem Fray, é natural que sinta a música ecoar de forma diferente e isso é, quanto a mim, uma das magias da música que tem a capacidade de se meter nas nossas emoções, como Bach tão bem consegue - cada um vibra à sua maneira. é evidente, na interpretação desta peça por ambos os intérpretes, que a tocam quase "chorando". por outro lado, voltando aos puristas, é de notar o enfado de alguns dos músicos alemães no vídeo que pus aí, indignados com as imposições da interpretação do pianista francês, que lhes pede às tantas para serem menos "germanic" e mais "italian". eu, que sou muito pouco germanic, acho isto maravilhoso. :-)
muito obrigada pelo contributo, josé luís.