19 agosto 2016

sobre o casamento

deveria, como a escravatura, ser abolido, e não me encham a paciência com argumentos.

São tantos, cada vez mais, imensos, os casos de grave desavença, incompatibilidade, mútua estragação c'os tempos que conheço (conhecemos?), que, honestamente, já nos tornávamos todos crescidinhos, não?


_____________
Há muito que defendo a separação temporária dos pares, por mor do reencontro de cada um consigo próprio. Ninguém me ouve, nem eu me ouvi (ouvi, mas aguardei, for reasons named daughters). Mas, vejamos, existem histórias de vida com construções quase únicas que nos habituámos a ver como indestrutíveis e, apesar disso, percebemos os sinais da derrocada, também nós rejeitando-os, como fetos malformados.

Há qualquer coisa de profundamente estúpido na espécie à qual pertencemos e é provável que essa coisa se chame educação, sociedade, não sei. Cultura não é, decerto (allow me).

10 comentários:

Diogo C. disse...

Utopias.

alexandra g. disse...

Bolas, Diogo, finalmente falando como gente crescida e conhecedora :p

Diogo C. disse...

posso sempre voltar ao meu registo «casa comigo G. :)»...

alexandra g. disse...

ok, andar à batatada não é exactamente coisa que não me apeteça :)

Diogo C. disse...

Aquela separação dos pares, que defendes, é dos pares-namorados ou dos pares-casados?

É só para ver se devo recomendar que te inspecionem a saúde mental.

alexandra g. disse...

e desde quando pensas tu que tens permissão para interrogatórios?

Diogo C. disse...

Uma simples pergunta não é um interrogatório. Não é. :)

alexandra g. disse...

É.
Posso assegurar-to.

Isabel Pires disse...

Alexandra,
Não é a instituição casamento que é culpada de as coisas correrem mal. Provavelmente tem mais que ver com o facto de as divergências serem maiores do que o que aproxima aquelas pessoas; quando não há mais espaço para respirar, grosso modo.
Apesar daquela minha primeira frase, o casamento não me diz nada, como nunca disse mesmo na altura em que assinei a papelada. A instituição casamento é coisa que não me aquece, nem me arrefece. Pormenor, apenas.
Já sobre o viver junto, o meu discurso é outro. É importante quando as pessoas se gostam. E agora que muita água correu, digo isto com mais convicção. Nunca experimentei o modelo que designas por "separação temporária dos pares, por mor do reencontro de cada um consigo próprio". Daí que só possa opinar com base em suposições. E nesta linha digo que mal será se apenas se consegue o reencontro connosco quando nos afastamos de quem gostamos, isto partindo do princípio que se tem um relacionamento com quem se ama. Porque também há relacionamentos que começam e se mantém por outras razões e em que as pessoas não se gostam.
Não creio que a história que ocupou mais anos da minha vida tivesse tomado um rumo diferente se tivessem existido separações temporárias.
Julgo que a defesa ou não do modelo que propões tem mais que ver com o que se quer de um relacionamento.

Não percebi o que quiseste dizer no último parágrafo, nomeadamente com o "profundamente estúpido". Será que te referes a exclusividade? Será que tem a ver com a separação entre sexo e amor?

alexandra g. disse...

Isabel,

defendo há anos o modelo da "separação temporária dos pares, por mor do reencontro de cada um consigo próprio" por considerar que o sufoco advém, em muitos casos, da coabitação, tendo-se perdido tudo o resto, pessoas (individualmente falando) incluídas. E espaço e tempo confundem-se, como é sabido, daí o que escrevi. Um afastamento só pode funcionar bem, por todas as razões (independentemente daquilo que dele resulte).

O último parágrafo: a explicação residirá (!) talvez nisto de eu acreditar muito na Cultura como coisa vasta, não presa (quantas são as nossas influências, e quais, por exemplo?).

_________
Há um momento, ainda que tanta gente o silencie, em que percebemos que a nossa Cultura é outra, e é então um dever buscá-la. Não tenho teorias, acho que o processo é pessoal e intransmissível (no sentido de puramente individual), com o toque irresistível de também ele (o processo individual) se metamorfosear...