20 agosto 2016

. salão de fumo .





ainda no corredor ouço aquela voz e sei que já chegou. é tão curiosa, esta parecença com billie holiday.
entro, sento-me num canto e acabo de ouvir a sua despreocupada, imprudente, temerária, negligente, ousada, irreflectida, descuidada, indiferente e estouvada (são alguns dos adjectivos que encontrei para a tradução de “reckless”…) versão deste velho standard de bessie smith. quando termina sorri e pisca-me o olho enquanto cyrus chestnut, o seu fabuloso pianista, acende o cachimbo com a tristeza de quem sabe ser impossível tornar este azul ainda mais irresistível.









2 comentários:

Maria Eu disse...

Doce!

alexandra g. disse...

Permito-me discordar da nossa Tutu: irresistível é mesmo a palavra (e, sim, anda por ali a Lady Day :)

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p.s. - só agora pude escutar, que lá no desemprego dos dias seria um choque, com a Comercial em fundo........