Não é só rever alguém. Exemplifico: trata-se uma pessoa que tem um dos sorrisos mais abertos e luminosos, um cabelo ondulado esvoaçante mesmo que não corra uma brisa, um diálogo solto e sem pretensões, um conhecimento e um prazer de pasmar, na sua área científica, uma forma de se vestir e arranjar que, além de serem mesmo (d)ela, irradiam uma originalidade difícil de encontrar neste meio (país também dá).
Encontrámo-nos assim que cheguei, ali a 40 quilómetros, e acabámos, sem sequer combinar previamente, por jantar à mesma hora. No regresso, desata, enquanto caminhávamos, num pranto incontornável.
Não costumo queixar-me, sou mais de espernear e largar impropérios e confrontar as pessoas e as situações, mas aquilo que ouvi deixou-me de rastos e com a certeza de que teria que a deixar chorar e, só depois, falar. No espaço de 2 meses, a morte do pai, muito novo, ainda, a morte do avô, o abandono do namorado, por iniciativa dele e, a meio da conversa, um telefonema anunciando a hospitalização da avó, meia hora antes.
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Vamos rever-nos, assim que possível, com a calma de um dia inteiro. Estamos a passar por uma situação comum: largar o desemprego dos dias e as dificuldades implícitas nessa mudança. Nada de conselhos, também não gosto de os dar, menos ainda de os pedir.
O sofrimento existe, saber ultrapassá-lo também, mas o dela é agora um acumulado excessivo.
Acho que, logo que possível, faremos uma tarde de praia fluvial, algures, usando o tempo para silenciar as palavras que não ajudam, comer uvas, tentar uma leitura, beber umas stout como se não houvesse amanhã. É que não sabemos mesmo se haverá.
Encontrámo-nos assim que cheguei, ali a 40 quilómetros, e acabámos, sem sequer combinar previamente, por jantar à mesma hora. No regresso, desata, enquanto caminhávamos, num pranto incontornável.
Não costumo queixar-me, sou mais de espernear e largar impropérios e confrontar as pessoas e as situações, mas aquilo que ouvi deixou-me de rastos e com a certeza de que teria que a deixar chorar e, só depois, falar. No espaço de 2 meses, a morte do pai, muito novo, ainda, a morte do avô, o abandono do namorado, por iniciativa dele e, a meio da conversa, um telefonema anunciando a hospitalização da avó, meia hora antes.
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Vamos rever-nos, assim que possível, com a calma de um dia inteiro. Estamos a passar por uma situação comum: largar o desemprego dos dias e as dificuldades implícitas nessa mudança. Nada de conselhos, também não gosto de os dar, menos ainda de os pedir.
O sofrimento existe, saber ultrapassá-lo também, mas o dela é agora um acumulado excessivo.
Acho que, logo que possível, faremos uma tarde de praia fluvial, algures, usando o tempo para silenciar as palavras que não ajudam, comer uvas, tentar uma leitura, beber umas stout como se não houvesse amanhã. É que não sabemos mesmo se haverá.
5 comentários:
tantos anos de escola e ninguém nos ensina a arte de saber ouvir... o silêncio obsequioso... e depois desse, que palavras usar...
Faz muita falta um interlocutor capaz de nós confortar quando a dor nos abate, ainda que apenas oiça.
Beijos, alexandra do g :)
Força aí.
Sou amiga de alguém em situação muito idêntica, a juntar uma doença dela, grave. Pasmo com a força, a coragem, a inteligência, a lucidez. Faz-me gostar mais do ser humano e dá-me também coragem para ultrapassar algumas das minhas fraquezas.
~CC~
*de nos confortar
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