26 agosto 2016

gerações

Os seniores da família ainda hoje se divertem com o olhar do meu pai, que nunca precisou de ralhar, levantar a voz, bastava-lhe olhar directamente para nós, Esquecem-se, o que é natural, que lhes fazia exactamente o mesmo e, passados 23 anos, o respeitinho mantém-se (ri, pai, finalmente, ri!).

Também eu sinto, mas diferente: que mais, de entre nós, o tivessemos confrontado como eu o fiz.

Agora, já não é necessário, resta um vazio, não por mim.

_______
É recorrente, esta vontade de lhe servir um tinto na varanda. Hoje, fumaria diante dele, beberia (isto, já apreciava), faria ironia (idem).

Agora, contudo, teria bisnetas, e acho que amoleceria como pão de ló, que tanto adorava, passeando com umas ao colo, ladeado por outras e outros, os netos percebendo (percebeu, tenho o testemunho da minha mãe) a riqueza dos filhos.

Vive em nós, por duro que tenha sido (foi), mas com esta pena tremenda de não ter podido ser mais pai, avô e, agora, bisavô, mas também isto de não sentirmos sobre nós um outro olhar, eventualmente de agradecimento. Seria esse, não duvido.

4 comentários:

Til disse...

Eu vi o meu pai fechar os olhos para sempre.Impossível esquecer!!!
Eu queria tanto ver o meu pai velho...
Ver o olhar*

Um beijinho,Alexandra*

No Meu Quarto Andar Sem Cave disse...

:)

Recordei coisas boas ao ler-te :)

beijocas

Maria Eu disse...


Beijos. Muitos.

alexandra g. disse...

gracias :)