04 agosto 2016

depois

Gosto genuinamente do pós-algumas situações.

Acordei cedo e caminhei na direcção das dunas.
Alguém tinha já levado, ontem, decerto, as garrafas e os copos e os pratos e os (poucos) talheres, o lixo.

Encontrei:

  • um livro entre os cardos baixos; pela posição, fora atirado, decerto uma brincadeira de ocasião. Sorri e fui buscá-lo. 
  • uma camisa longa de noite, branca. Novo sorriso.
  • uma pulseira de prata com incrustações de semi preciosas em tons de verde e azul, vários tons.
  • uma folha com o desenho inconfundível de uma pauta, aparentemente inacabada.
  • um casaco longo de algodão, branco.
  • um chapéu de abas rígidas, preto.
  • um estojo com pincéis e, no meio, uma moeda cunhada no tempo do João V.
  • uma gata preta enroscada numa toalha de praia circular, invulgar, que abriu um olho, à minha passagem, para o fechar de imediato.
  • um maço de Ventil, clássico, com 5 cigarros e um isqueiro magnífico com uma inscrição que precisarei de auscultar à lupa.



Sentei-me no meio do tesouro espalhado e fumei dois pensativos cigarros, dos achados. Sorri com a ideia de que a poesia é um animal tão em fuga quanto imobilizado, pedindo que a apanhem.

7 comentários:

Manel Mau-Tempo disse...

fiquei k.o. com essa do animal...

josé luís disse...

não encontraste nada do que era suposto :P

alexandra g. disse...

Corto Stormy,
não exageres :)

josé luís,
ah, mas eu nunca conto tudo, ou ainda não tinha dito? :P

Tétisq disse...

sim, um animal mais raro que um PoKemon e com menos caçadores o que é uma pena

Maria Eu disse...

Encontraste o meu livro! :)

alexandra g. disse...

Tétisq,

lindinha :) e nada de interpretar isto como subalterna, nas gradações da beleza, que cousa linda disseste :)

Tutu,

lindeza, sim, mas mais não acrescentaremos ao que foi escrito, antes adentraremos, contornaremos, e demais etc. :)

Cuca, a Pirata disse...

Ah, então foi isso! :))
Deixo a camisa de dormir branca, de louca, em todo o lado!