31 agosto 2016

. bosch, madrid 2016 .




agora a sério, não é por chauvinismo nem aquele eterno pó aos castelhanos, 
mas o "nosso" tríptico é a obra mais cool desta (fabulosa!) retrospectiva :)




após vinte e tal quadros (quase todos os que pintou) e meia dúzia de desenhos fico ainda mais abismado com jheronimus van aken, dito bosch. a verdade é que, quinhentos anos depois, dele não se sabe quase nada, embora alguns tenham percebido quase tudo. a videoinstalação jardín infinito recria as delícias terrestres do velho pintor de brabant, recortando e colando pormenores, ampliando detalhes e reinventando um palco que é o (seu) mundo. há quem entre e esteja apenas um momento, outros sentam-se e assistem a todos os setenta e cinco minutos. e dá-se um suave milagre: é-nos permitido por um instante sermos figurantes nessa peça sem guião, como se tudo o que em nós é único, bizarro e grotesco tivesse sido afinal desenhado e pintado também por ele naquele tríptico mágico. inesquecível.




…and besides, the devil wears prado ;)






8 comentários:

alexandra g. disse...

o teu remate é genial :)

tentei comentar lá na tua casa de cidade :) mas não consegui, mesmo depois de ter fechado uma série de janelas.

o que eu queria dizer é isto: lamento nunca ter visto o tríptico fechado, que, daquilo que conheço dos livros onde nos mostram os desenhos :) e a internet é um desses livros, também, parece-me cousa admirável, tanto ou mais do que o dito, 'interiormente' repartido por 3.

josé luís disse...

o prado fez uma coisa bem feita: todos os trípticos estavam afastados das paredes, para se poder admirar o que está pintado no "exterior" dos painéis laterais. no "nosso" caso são duas cenas da paixão de cristo (o momento da prisão e o caminho com a cruz), pintadas em grisaille. e esta é curiosa porque não parece monocromática: há laivos de cinzento e castanho, cousa aparentemente rara.

alexandra g. disse...

(confesso que, quando visitei o Prado - se é que alguém pode afirmar que visitou o Prado, durou uma tarde, como muitos outros lugares do género :) - o que me fascinou foram algumas das pinturas negras do Sr. Goya, em exposição temporária, fiquei estarrecida, as meninas eram ainda pequeninas, passou tanto tempo)

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O Bosch fascina-me hoje, para te ser muitomuitomuito franca, na medida em que é replicado sem obscenidade e consigo descobri-lo, a espaços (ok, e tempos :)

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(vide Carlos Farinha)

josé luís disse...

desta vez vi apenas o bosch, a videoinstalação e dei um salto às salas onde estão os velázquez e os sorolla. e mais tempo não houve.

alexandra g. disse...

o que eu queria era uma semana para deambular a solo nos museus que bem me aprouvesse visitar :)

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e nada de guias, escritos ou falantes (nada como um guia para abominar guias, trust me :))

alexandra g. disse...

p.s. - acabo de me lembrar de um pormaior :)

p.p.s. - um dia, o Carlos Farinha expôs, num conjunto, uma tela com vacas (Prado :) e fez uma brincadeira sui generis: ao longo da parede, no sentido do olhar das vacas, pintou vacas na parede, mínimas, reproduções exactas da tela. Apeteceu-me levar a parede para casa :))

josé luís disse...

havia audioguias, etc, etc. prescindi. ;)

alexandra g. disse...

fizeste bem, essa merda dos audioguias (se não me engano, iniciada em FR :) é exactamente como andar nos autocarros turísticos em Madrid, colocar os auriculares e tudo o que te apetece é hop off, com aquele português dito do Brasil que até os brasileiros se escangalham a rir, de tão portubranhol que é.

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(...) E nisto, estás a chegar àquela praceta onde um teatro de marionetas clama pela tua seriedade maior, o riso limpo, como a manhã inicial vs breu...

off we go! :)