15 julho 2016

Hino


(Gustav Klimt)



A bunda, que engraçada
A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.

Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora - murmura a bunda - esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.

A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.

A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.

Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar
Esferas harmoniosas sobre o caos.

A bunda é a bunda
redunda.


- Carlos Drummond de Andrade, em "O amor natural"

6 comentários:

alexandra g. disse...

ele há gajos com miolos, tão, mas tão sedutores :)

josé luís disse...

se redunda é a bunda,
quando não se arredunda
passa a ser desbunda?

Maria Eu disse...

Oh, se há! :)

Maria Eu disse...

Para ser desbunda, a bunda tem que redundar! :p

josé luís disse...

ai a bunda abunda?
todos para a rotunda!

ana disse...

a imagem é tão bonita :)
apesar da desbunda ...