10 julho 2016

diseurs, diseuses (ainda)

Será da língua, não sei. O Mário Viegas, bom, que mais acrescentar? Magnífico, uma raridade.

Agora, ofereçam-me de bandeja vozes roucas operantes no melhor dos rectângulos em perspectiva vertical ascendente, e eu escuto tudo, excepto em PT. Não sei, há excesso de dramatização, de performance, de dizer, quando o que é preciso é sentir, pensar. Em PT há lugar para muita coisa (pensem bem: comer, caminhar, dançar, beber, foder, agora, dizer poesia, esqueçam, é assim como a mania de ir na linhagem familiar, na área da Medicina, mas não dá, não dá, quando a tendência individual é a Engenharia Mecânica).

Será da língua, talvez demasiado complexa e vertebrada. Não basta uma boa voz, talvez seja pela boa voz que se falha.

10 comentários:

Diogo C. disse...

estou a pensar seriamente em me tornar escritor.

alexandra g. disse...

então e jardineiro, apicultor, engenheiro agrónomo?

Diogo C. disse...

Olá G.

Jardineiro já dei uns toques, caso não saibas. Apicultura é uma coisa de que gosto. Depois conto porquê. Engenharias, acho enfadonho.

Desafiador, para mim, é a vida do espírito. E eu tenho talento para a cena. Mais, se escolheste essas opções pensando-as menos elitistas do que a figura do Escritor, desengana-te já, caray!

Escritor é vida miserável. Mas o retorno...

Maria Eu disse...

Ah! Gostei tanto de ouvir o Xilre, a Susana, a Linda, o Impontual... Não achei nada disso do Português ao ouvi-los! Já os ouviste? São lindos!

Maria Eu disse...

E a Cuca? :)

Maria Eu disse...

E a Cuca? :)

alexandra g. disse...

Diogo,

grande tonto, eram só exemplos, tão dignos como quaisquer outros. De resto, tu fazes o que bem entenderes, mas olha que "isto", a avaliar pelos escaparates e pelos lançamentos, já me parece mais uma nova modalidade olímpica do que literatura..

Tutu,

escutei uma ou duas pessoas e... mantenho o que escrevi. Para que ninguém se ofenda, reitero que penso assim há muito tempo. Para que ninguém se ofenda, posso até admitir que me saltaram, ao longo dos anos, dois ou três parafusos, mas foi logo em contexto escolar :))

Diogo C. disse...

Reli o que escrevi antes do almoço, e se uma patrulha de memes apanha aquela pérola, gozo de meia-noite. É certo.

Eu não acredito na morte. Na morte do rock, sempre à baila, na morte da literatura, e uma quantidade de etcs de mortes anunciadas. Essa «competição», as modas, os breves, logo esquecidos.

Uma pessoa pensa que escrever é pegar no portátil, viajar depois de fazer um mestrado, sentar-se umas belas manhãs/dias defronte a uma paisagem do caralho, e as frases surgirão. Ali.

Nada disso.

Concordo que hoje podemos ser mais científicos do que românticos, até a compor literatura. Com toda a retórica disponível. Mas cada vez mais acho que é um fado.

Vem a fada e faz plin.

Cuca, a Pirata disse...

Acho que ninguém se ofende. Percebeu-se que é uma opinião contra a declamação em geral. (E se fosse em especial continuaria a não ser ofensivo).
Eu acho que és só tu a ser do contra, mas não conto a ninguém.

alexandra g. disse...

Laruca, Cuca

pour te faire plaisir, até faria um clip audio com as razões deste meu desprazer de longa, longa data, mas estaria a ser, isso sim, do contra. Penso que bastam as minhas afirmações, as a statement, with all due respect por quem pensa e faz o contrário.