30 junho 2016

sobre aquilo de sermos quem somos

Acabo de chegar de uma conversa na qual esteve incluída, até determinado momento, a máxima honestidade. Note-se que cheguei após as 20h30. A esta hora, consigo ser mais eu do que eu, isto é, passadas as horas de honestidade junto da entidade patronal, estou no meu tempo de lazer. Sucede que apareceu um senhor que é um CEO paquistanês com responsabilidades de recrutamento para uma nova empresa que abrirá portas brevemente . Elogiou-me, o paquistanês, o inglês, conversámos sobre múltiplos assuntos, retira-se e cai-me tudo em cima: que não deveria ter referido que bebo 4 copos e mantenho o discurso sóbrio, que não deveria ter referido que pretendo sair desta terra, que, que, que, mesmo tendo dito que tenho como princípio jamais beber álcool durante as 8 horas de trabalho. Formidável, não falam inglês, alegadamente, mas percebem tudo. O paquistanês também, fala inglês, mas não percebe nada.

Sucede que quero mesmo sair desta terra, que aguento as garrafas necessárias com um discurso impecável, que não peço favores (peço contactos, somente), que ainda sei estabelecer a distinção entre uma conversa brincalhona com uma pessoa acabada de conhecer e a total falta de reverência com um CEO capaz de me arranjar trabalho por aqui por mais (digamos) 200 €, que conheci em contexto de lazer e que, de resto, fui eu a convidar para a mesa, o grupo onde fui desfeita aos pedaços (!) .

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Como de costume, pessoa com pipi,  idosa, sem habilitações, com falta de reverência, sem humildade. Ou seja, não interessa de onde vem o home, devo calar-me num ENG jeitosinho e a vida até poderá prometer. A vida alheia está feita.

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Não sinto nada. Seguramente, nada mais do que o habitual.


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