Almoçando lá na esplanada do desemprego dos dias, observo, há algumas semanas, a correria (deixem-se de preciosismos) das mães ou, dependendo da ave, dos pais, em busca de alimento. As mesas e as cadeiras estão muito próximas do muro onde duas das espécies nidificam, o que os atrapalha sobremaneira, no regresso. É visível a batida acelerada do coração, a atrapalhação, o medo, das figuras sentadas, enquanto as crias reclamam com avidez a próxima regurgitação. Hoje, atirei um pedaço de pão para junto do muro. O pássaro, poisado a alguma distância, declamava uma estranha canção, misto de espera aí, bebé! e ó alimária, desaparece!
Deslizei para o interior e vejo-o voar na direcção do ninho escondido algures nas entranhas do muro. Pouco tempo depois vejo-o poisar e erguer com o bico o pedaço de pão do tamanho da sua cabecita, regressando ao ninho.
Talvez pareça exagero, mas foi a única coisa que verdadeiramente valeu a pena (devidamente pesadas) nas mais de nove horas que hoje passei no sítio.
Uma espécie de leveza.
Deslizei para o interior e vejo-o voar na direcção do ninho escondido algures nas entranhas do muro. Pouco tempo depois vejo-o poisar e erguer com o bico o pedaço de pão do tamanho da sua cabecita, regressando ao ninho.
Talvez pareça exagero, mas foi a única coisa que verdadeiramente valeu a pena (devidamente pesadas) nas mais de nove horas que hoje passei no sítio.
Uma espécie de leveza.
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